Os heróis e policiais novatos Judy Hopps e Nick Wilde estão de volta para mais uma aventura extravagante pela grande metrópole animal de Zootopia. Em Zootopia 2, após desvendarem o maior caso da história da cidade, Judy e Nick são surpreendidos por uma ordem do Chefe Bogo: os dois detetives precisarão frequentar o programa de aconselhamento Parceiros em Crise. A união da dupla é colocada à prova quando surge um mistério ligado a um recém-chegado à cidade: o misterioso e venenoso réptil Gary De’Snake. Para encontrar as soluções para o caso envolvendo a víbora, Judy e Nick devem desvendar novas partes da cidade, sendo testados o tempo todo.
Dez anos após o sucesso que revolucionou o entretenimento infantil com sua abordagem sobre preconceito estrutural. Sob a direção de Jared Bush e Byron Howard, a sequência mantém o universo vibrante da metrópole animal, mas entrega uma narrativa notavelmente mais densa, politizada e madura.
Mas é bom?
O filme marca o retorno da dupla dinâmica: a policial coelha Judy Hopps e o parceiro raposo Nick Wilde. Desta vez, a investigação os leva a um caso de contrabando envolvendo répteis, espécies banidas de Zootopia, cujo principal alvo é uma víbora chamada Gary.
O roteiro é uma teia envolvente de interesses políticos, manipulação midiática e disputas de poder, que desafia a percepção de quem é a verdadeira ameaça.
Visualmente, a produção é impecável. A coloração é rica em contrastes e detalhes, criando um espetáculo sem sobrecarregar o olhar. As cenas são dinâmicas, ágeis e bem coreografadas, alternando com maestria entre ação, humor e momentos de introspecção.
O humor visual continua sendo um ponto forte, com sequências criativas e referências cinematográficas (incluindo um personagem com a aparência de Martin Scorsese) que divertem tanto o público infantil quanto o adulto.
O coração da narrativa reside na relação entre Judy e Nick. A química afinada da dupla se aprofunda organicamente, reforçando lições valiosas sobre trabalho em equipe, confiança e aceitação. O elenco de dublagem, especialmente a versão nacional, lideradas por Mônica Iozzi e Rodrigo Lombardi, entrega um trabalho exemplar que enriquece a sinceridade emocional dos personagens.
Embora a complexidade do enredo possa ser desafiadora para os espectadores mais jovens, a animação se posiciona claramente como uma obra que dialoga diretamente com adultos. Ela utiliza a fábula acessível para abordar de frente temas como preconceito institucional e manipulação social.
Zootopia 2 se estabelece como uma sequência relevante, atual e emocionalmente envolvente. É um lembrete divertido, sensível e necessário de que os verdadeiros “valentões” muitas vezes ocupam os mais altos escalões do poder, reafirmando o potencial do cinema de animação como ferramenta de crítica social.
Nota Final: 8.0




