O filme Tron: Ares acompanha o programa Ares, uma espécie de computador altamente qualificado e melhor desenvolvido do que os demais presentes na Terra. Em uma importante missão, Ares é retirado do mundo digital para conseguir resolver os problemas do mundo real, no entanto, os perigos apresentados pelo novo trabalho serão capazes de fazê-lo desacreditar de seus próprios códigos.
Estrelado por Jared Leto, Greta Lee e Evan Peters, o terceiro filme da sequência de Tron marcará o primeiro encontro da humanidade com os inéditos seres de Inteligência Artificial.
Mas é bom?
A Disney retorna à grade com Tron: Ares, sequência direta de O Legado (2010) e neta do clássico cult de 1982. Dessa vez, sob a direção de Joachim Rønning ( Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar). O estúdio tenta reenergizar uma franquia que sempre oscilou entre o experimental e o espetáculo. O resultado é um filme imperfeito, mas essencial, não por reinventar a roda, e sim por manter viva a engrenagem hollywoodiana que precisa, de tempos em tempos, produzir filmes-pipoca que simplesmente divertem!
Ares propõe uma nova entrada no sistema, atualizando a estética e o discurso da série. Julian Dillinger (Evan Peters) é o ambicioso CEO da Dillinger Systems, tentando transformar programas em supersoldados, enquanto o enigmático Ares (Jared Leto) começa a questionar sua própria existência.
A trama gira em torno do “Código de Permanência”, capaz de dar vida real aos seres digitais — uma metáfora clara para o desejo humano (e corporativo) de eternizar-se através da tecnologia. Ao lado de Eve Kim (Greta Lee), Ares embarca numa jornada que mistura existencialismo e perseguições luminosas pelas ruas da cidade, a essência visual e filosófica de Tron.
Rønning conduz tudo com energia contagiante. As sequências de ação são um espetáculo à parte, com fotografia vibrante de Jeff Cronenweth (Clube da Luta) e trilha pulsante do Nine Inch Nails que substitui o tom etéreo de Daft Punk por uma brutalidade industrial. Há ritmo, há movimento Ares é pura cinética digital.
Ainda assim, o roteiro de Jesse Wigutow escorrega em diálogos expositivos e personagens pouco aprofundados, problemas crônicos da franquia. Leto, embora carismático, não consegue dar à sua criação o magnetismo trágico que a narrativa exige.
Mas há algo de fascinante em como Ares olha para o passado enquanto analisa toda realidade. O filme funciona como espelho de uma Hollywood que revisita os anos 80 em busca de significado , e lucro. Assim como Ghostbusters, Top Gun e Matrix, Tron renasce sob o manto da nostalgia, mas tenta, ainda que timidamente, discutir o preço da imortalidade digital e da guerra automatizada.
O retorno de Jeff Bridges, ainda que breve, adiciona uma centelha de emoção e herança ao código. Quando Flynn surge, mesmo por instantes, sentimos que o sistema ainda pulsa.
Tron: Ares não é uma revolução, mas um lembrete de que o cinema blockbuster precisa de espaços como este — lugares onde o espetáculo e o pensamento podem coexistir, mesmo que em faíscas. A máquina hollywoodiana, afinal, só continua viva porque ainda há energia correndo nas sagas, Tron é uma delas.
Nota Final: 7.5




