PREDADOR: BADLANDS (2025)

Diogo Souza

7 de novembro de 2025

Dirigido por Dan Trachtenberg e escrito por Patrick Aison e Brian Duffield, o novo filme da franquia Predador representa um novo e corajoso capítulo na icônica franquia iniciada em 1987 com Predator, de John McTiernan, e imortalizada por Arnold Schwarzenegger. Ao longo das décadas, a saga percorreu caminhos irregulares, de obras de culto como Predador 2 (1990) a experimentos duvidosos como Alien vs. Predator (2004) e The Predator (2018).

Contudo, Trachtenberg, que já havia revitalizado o universo com Prey (2022), demonstra novamente total domínio sobre o material. Ele reconecta a franquia às suas origens enquanto injeta frescor narrativo, profundidade psicológica e inovação estética.

Mas é bom?

Em Badlands, o cineasta subverte o paradigma da caça: o Predador deixa de ser apenas a ameaça invisível para se tornar o protagonista, um ser dotado de dilemas e códigos. O jovem Yautja Dek, interpretado com brutal intensidade e surpreendente sensibilidade por Dimitrius Schuster-Koloamatangi, embarca em uma jornada de honra e autodescoberta. O roteiro acerta ao explorar o aprendizado e o amadurecimento de Dek sem enfraquecê-lo, revelando uma nova dimensão da criatura: a da vulnerabilidade como força. Essa reconfiguração do mito lembra o que Prey fez ao resgatar o senso de caçada e sobrevivência, mas aqui a lente se volta para o ponto de vista do próprio caçador.

Ao lado de Dek surge Thia, uma androide danificada interpretada por Elle Fanning, que entrega uma atuação dupla notável, Thia e Tessa, equilibrando a frieza mecânica e uma emoção humana quase palpável. Sua performance confere à trama uma profundidade rara no gênero, e a química entre ela e o protagonista sustenta o eixo emocional do filme.

Do ponto de vista técnico, Badlands é impecável. A direção de fotografia de Jeff Cutter transforma o planeta Genna, cenário da ação, em um espetáculo visual que combina o deserto primordial dos clássicos com o dinamismo digital contemporâneo. Os efeitos da Wētā FX e da ILM atingem um nível de realismo impressionante, tornando cada confronto uma experiência imersiva. O design de som é preciso, reforçando a tensão entre silêncio e explosão, enquanto a trilha de Sarah Schachner e Benjamin Wallfisch injeta energia e melancolia nas medidas certas.

Trachtenberg conduz um filme que entende a própria mitologia: o “caçador supremo” agora é símbolo de introspecção e honra, não apenas de destruição. A narrativa preserva o espírito de sobrevivência e brutalidade que tornou a franquia lendária, mas expande sua dimensão simbólica, unindo o mito e o humano, o instinto e a empatia.

Com ação incessante, estética vigorosa e alma épica, Predador: Badlands não apenas revigora a franquia, ele redefine o que significa ser o Predador. Um renascimento que mistura sangue, alma e propósito.

O Predador mudou. Reinventa e amplia o mito. O eleva a um novo patamar de poder e emoção.

Nota Final: 7.5

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