M3GAN 2.0 (2025)

Diogo Souza

27 de junho de 2025

Dois anos após os eventos do primeiro filme, M3GAN 2.0 acompanha a terrível, demoníaca e dançante boneca assassina e sua criadora Gemma (Allison Williams) que, agora, tornou-se uma autora de sucesso e luta a favor da supervisão e controle governamental da Inteligência Artificial. Quem não aprova em nada essa nova atitude de Gemma é sua sobrinha de 14 anos Cady (Violet McGraw) que decide se rebelar contra as regras superprotetoras da tia. Enquanto isso, um poderoso empresário rouba a tecnologia do protótipo da boneca Megan com o objetivo perverso de construir uma potencial arma militar letal chamada Amelia (Ivanna Sakhno), uma espiã altamente treinada e sem limites.

Rapidamente, porém, Amelia ganha uma autoconsciência poderosa e decididamente começa a se rebelar contra as ordens e vontades humanas, tornando-se um perigo cada vez maior de aniquilação.

Mas é bom?

Não é de hoje que instrumentos inanimados com formatação antropomórfica atraem a atenção do grande público. Seja com Metrópolis (1927), de Fritz Lang, e seus robôs. Da mesma década, Golem (1920), com a criatura apavorando a sociedade, apesar de ser feita de argila. Houve a época dos ventrículos, na década de 40, ora engraçados, ora possuídos, até chegarmos nos incríveis anos 80, e a personificação máxima do gênero, Chucky, o brinquedo assassino (1988).

Para geração z, seu exemplar teria que ser moderno, com tecnologia de ponta, e então surgiu M3gan. Particularmente o primeiro filme de 2022, me agrada, seja pela estética, pelo comportamento da personagem e como elementos de ficção científica terror e comédia se fundem em doses moderadas, compactuando em uma obra de certa forma, interessante.

Abraçou a galhofa?

M3gan 2.0, meus amigos, a BlumHouse (produtora) e James Wan (produtor executivo) devem estar de brincadeira em liberar esse filme ao público. Uma obra como uma colcha de retalhos, que se perde em um falatório auto explicativo interminável, alternando umas boas cenas com a personagem principal, que é o grande atrativo do filme, e depois tome cena sem sentido, com elenco de apoio desnecessário e enfadonho.

Suponho que só o Exorcista 2 – o Herege (1977), uma das piores sequências do cinema, é rival para M3gan 2.0. Fica a impressão que o diretor Gerard Johnstone, assistiu a um episódio de LazyTown, série infantil islandesa (2004), pegou o visual da Stephanie ( Julianna Rose Mauriello) e turbinou a M3gan em uma importante cena de dança. E o personagem masculino Robbie Rotten (Stefán Karl Stefánsson) e transformou no antagonista do filme, Cole ( Aristotle Athari), bem piegas.

Tudo muito infantil. Diferente da faixa teria do público principal desse tipo de filme, os adolescentes. Que encontrarão uma M3gan linda, com um zelo de produção na arte conceitual da personagem, mas perdida em um caos narrativo. Há cenas também reproduzidas baseadas em Alita: Anjo de combate (2019) e Pequenos Espiões (2001) mas jogadas, sem nexo. Isso é uma prova que executivos não devem apenas basear uma sequência pois o filme anterior deu bilheteria.

Mas talvez seja proposital

É claramente perceptível como deixaram a personagem o mais aleatória possível, soltando referências para todo lado. Quase como um TODO MUNDO EM PÂNICO (2000), sendo que com robôs com IA embutidas – realmente um filme para nova geração comentar e que parece mais feito para o streaming – se tu não levar tão a sério, vai se divertir. Como o próprio longa não se leva!!

“M3GAN 2.0” prometeu ser o futuro da IA no cinema, mas entregou mais um filme de streaming do que blockbuster.

Nota Final: 5.0

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